ENEM 2015 · questão 119

Questão 119 ENEM 2015: Teoria literária e poesia

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À garrafa

Contigo adquiro a astúcia
de conter e de conter-me.
Teu estreito gargalo
é uma lição de angústia.
Por translúcida pões
o dentro fora e o fora dentro
para que a forma se cumpra
e o espaço ressoe.
Até que, farta da constante
prisão da forma, saltes
da mão para o chão
e te estilhaces, suicida,
numa explosão
de diamantes.

PAES, J. P. Prosas seguidas de odes mínimas. São Paulo: Cia. das Letras, 1992.

A reflexão acerca do fazer poético é um dos mais marcantes atributos da produção literária contemporânea, que, no poema de José Paulo Paes, se expressa por um(a):

  1. A
    Reconhecimento, pelo eu lírico, de suas limitações no processo criativo, manifesto na expressão “Por translúcidas pões".
  2. B
    Subserviência aos princípios do rigor formal e dos cuidados com a precisão metafórica, como se em "prisão da forma".
  3. C
    Visão progressivamente pessimista, em face da impossibilidade da criação poética, conforme expressa o verso "e te estilhaces, suicida".
  4. D
    Processo de contenção, amadurecimento e transformação da palavra, representado pelos versos "numa explosão / de diamantes".
  5. E
    Necessidade premente de libertação da prisão representada pela poesia, simbolicamente comparada à "garrafa" a ser "estilhaçada".
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Gabarito: Alternativa D: Processo de contenção, amadurecimento e transformação da palavra, representado pelos versos "numa explosão / de diamantes"..

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