FUVEST 2019 · questão 69
Questão 69 FUVEST 2019: Figuras de linguagem
TEXTOS PARA AS QUESTÕES 68 E 69 Sonetilho do falso Fernando Pessoa Onde nasci, morri.
Onde morri, existo.
E das peles que visto
muitas há que não vi.
5 Sem mim como sem ti
posso durar. Desisto
de tudo quanto é misto
e que odiei ou senti.
Nem Fausto nem Mefisto,
10 à deusa que se ri
deste nosso oaristo*,
eis‐me a dizer: assisto
além, nenhum, aqui,
mas não sou eu, nem isto.
Carlos Drummond de Andrade.
Claro Enigma.
Ulisses
O mito é o nada que é tudo O mesmo sol que abre os céus É um mito brilhante e mudo ‐ O corpo morto de Deus, Vivo e desnudo.
Este, que aqui aportou
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo E nos criou Assim a lenda se escorre A entrar na realidade, E a fecundá‐la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.
Fernando Pessoa. Mensagem.
*conversa íntima entre casais. O oxímoro é uma "figura em que se combinam palavras de sentido oposto que parecem excluir‐se mutuamente, mas que, no contexto, reforçam a expressão" (HOUAISS, 2001). No poema "Sonetilho do falso Fernando Pessoa", o emprego dessa figura de linguagem ocorre em:
- A"Onde morri, existo" (L. 2).
- B"E das peles que visto / muitas há que não vi" (L. 3‐4).
- C"Desisto / de tudo quanto é misto / e que odiei ou senti" (L. 6‐8).
- D"à deusa que se ri / deste nosso oaristo" (L. 10‐11).
- E"mas não sou eu, nem isto" (L. 14).