FUVEST 2020 · questão 32

Questão 32 FUVEST 2020: Modernismo

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Cantiga de enganar

(...)

O mundo não tem sentido.

O mundo e suas canções

de timbre mais comovido

estão calados, e a fala

que de uma para outra sala ouvimos em certo instante é silêncio que faz eco e que volta a ser silêncio no negrume circundante.

Silêncio: que quer dizer?

Que diz a boca do mundo?

Meu bem, o mundo é fechado, se não for antes vazio.

O mundo é talvez: e é só.

Talvez nem seja talvez.

O mundo não vale a pena,

mas a pena não existe.

Meu bem, façamos de conta.

De sofrer e de olvidar,

de lembrar e de fruir,

de escolher nossas lembranças e revertê-las, acaso se lembrem demais em nós.

Façamos, meu bem, de conta - mas a conta não existe - que é tudo como se fosse, ou que, se fora, não era.

(...)

Em Claro Enigma, a ideia de engano surge sob a perspectiva do sujeito maduro, já afastado das ilusões, como se lê no verso-síntese "Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti." ("Legado"). O excerto de "Cantiga de enganar" apresenta a relação do eu com o mundo mediada

  1. A
    pela música, que ressoa em canções líricas.
  2. B
    pela cor, brilhante na claridade solar.
  3. C
    pela afirmação de valores sólidos.
  4. D
    pela memória, que corre fluida no tempo.
  5. E
    pelo despropósito de um faz-de-conta.
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Gabarito: Alternativa E: pelo despropósito de um faz-de-conta..

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