FUVEST 2020 · questão 46

Questão 46 FUVEST 2020: Modernismo

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Hoje fizeram o enterro de Bela. Todos na Chácara se convenceram de que ela estava morta, menos eu. Se eu pudesse não deixaria enterrá‐la ainda. Disse isso mesmo a vovó, mas ela disse que não se pode fazer assim. Bela estava igualzinha à que ela era no dia em que chegou da Formação, só um pouquinho mais magra.

Todos dizem que o sofrimento da morte é a luta da alma para se largar do corpo. Eu perguntei a vovó: "Como é que a alma dela saiu sem o menor sofrimento, sem ela fazer uma caretinha que fosse?". Vovó disse que tudo isso é mistério, que nunca a gente pode saber essas coisas com certeza. Uns sofrem muito quando a alma se despega do corpo, outros morrem de repente sem sofrer.

Helena Morley, Minha Vida de Menina.

Perguntas

Numa incerta hora fria
perguntei ao fantasma
que força nos prendia,
ele a mim, que presumo
estar livre de tudo
eu a ele, gasoso,
(...)

No voo que desfere
silente e melancólico,
rumo da eternidade,
ele apenas responde
(se acaso é responder
a mistérios, somar‐lhes
um mistério mais alto):
Amar, depois de perder.

Carlos Drummond de Andrade, Claro Enigma.

As perguntas da menina e do poeta versam sobre a morte. É correto afirmar que

  1. A
    ambos guardam uma dimensão transcendente e católica, de origem mineira.
  2. B
    ambos ouvem respostas que lhes esclarecem em definitivo as dúvidas existenciais.
  3. C
    a menina mostra curiosidade acerca da morte como episódio e o poeta especula o sentido filosófico da morte.
  4. D
    a menina está inquieta por conhecer o destino das almas, enquanto o poeta critica o ceticismo.
  5. E
    as duas respostas reforçam os mistérios da vida ao acolherem crenças populares.
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Gabarito: Alternativa C: a menina mostra curiosidade acerca da morte como episódio e o poeta especula o sentido filosófico da morte..

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