Unicamp 2027 (Vestibular 2027 · 1ª fase) · questão 29

Questão 29 Unicamp 2027 · Vestibular 2027 · 1ª fase: Gramática

Português › GramáticaVestibulares

Texto para as questões 28 e 29.

Há 60 anos, quando a Universidade Estadual de Campinas era fundada, Chico Buarque de Hollanda lançava o seu primeiro álbum musical. Entre as canções presentes no álbum, estava Sonho de um carnaval, com a letra reproduzida a seguir.

Sonho de um carnaval

Carnaval, desengano
Deixei a dor em casa me esperando
E brinquei e gritei e fui vestido de rei
Quarta-feira sempre desce o pano
Carnaval, desengano
Essa morena me deixou sonhando
Mão na mão, pé no chão e hoje nem lembra não
Quarta-feira sempre desce o pano
Era uma canção, um só cordão e uma vontade
De tomar a mão de cada irmão pela cidade
No carnaval, esperança
Que gente longe viva na lembrança
Que gente triste possa entrar na dança
Que gente grande saiba ser criança

(BUARQUE, C. Sonho de um carnaval. In: Chico Buarque de Hollanda. Rio de Janeiro: RGE, 1966. 1 disco de vinil [LP].)

Poucos pensadores influenciaram tão decisivamente a reflexão sobre o tempo quanto Aurélio Agostinho de Hipona (354-430). Nascido no norte da África, Agostinho é autor das Confissões, obra na qual formula uma pergunta que atravessa séculos: “O que é, pois, o tempo?”.

O filósofo rompe com a ideia do tempo como algo puramente externo, mensurável com um relógio. Para ele, o tempo se dá na interioridade: o passado vive na memória, o presente na atenção, e o futuro na expectativa. Não são três tempos objetivos, mas três modos de experiência.

É por isso que os tempos verbais não funcionam como etiquetas rígidas. Mais do que marcar quando algo ocorre, a língua indica como o falante se posiciona diante do tempo, isto é, no fluxo entre o que já foi, o que é e o que ainda não é.

(Adaptado de MÓDOLO, M. e BRAGA, H. O tempo que se diz: entre Santo Agostinho e Benveniste. Jornal da USP, 7/5/2026.)

Com base no que afirma o texto de Módolo e Braga, as formas verbais empregadas na canção Sonho de um carnaval que servem para indicar uma experiência de expectativa por aquilo “que ainda não é" estão no

  1. A
    pretérito perfeito do indicativo (brinquei, gritei e fui, no verso 3).
  2. B
    gerúndio (esperando, no verso 2, e sonhando, no verso 6).
  3. C
    presente do indicativo (desce, nos versos 4 e 8, e lembra, no verso 7).
  4. D
    presente do subjuntivo (viva, possa e saiba, nos versos 12, 13 e 14, respectivamente).
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Gabarito: Alternativa D: presente do subjuntivo (viva, possa e saiba, nos versos 12, 13 e 14, respectivamente)..

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